quarta-feira, 30 de março de 2011

Hipnose e Regressão de Idade

A máquina do tempo, inventada e reinventada tantas vezes nas produções cinematográficas, tornou-se a grande obsessão do homem moderno. Da recriação do período jurássico através dos recursos computacionais às excursões para o futuro. Novas cidades, diferentes dimensões, outros mundos.

Os físicos modernos se debruçam sobre modelos teóricos e hipotizam a respeito de viagens através do tempo. Se toda essa discussão, por enquanto, permeia apenas o campo da ficção e das hipóteses teóricas, no campo do psiquismo humano a coisa se mostra um tanto diferente, a começar pela própria atemporalidade mental. Basta referirmo-nos a fatos sofridos no passado e..., sofremos novamente.

De fato, esta flexibilidade mental-temporal é a razão principal das angústias humanas; lamentação (o que foi) e preocupação (o que será).

Então, são falsas ou verdadeiras as experiências relatadas sob transe hipnótico? Alguns pesquisadores provaram que a regressão de idade acontece também numa instância fisiológica.

Em 1896 o fisiólogo Joseph Babinski relacionou o desaparecimento do reflexo cutâneo plantar normal à disfunção das vias piramidais (o teste de Babinski só é verificável a partir de alguns meses de idade, já que o bebê não apresenta o reflexo plantar). Conforme relatos encontrados na literatura sobre hipnose, numa regressão induzida à tenra idade, o teste de Babinski apresenta-se negativo, demonstrando que o indivíduo regride também fisiologicamente, acessando uma instância arcaica de sua neurologia.

Um individuo regredido hipnoticamente é capaz de acessar os “arquivos” cujos caminhos foram esquecidos no transcurso do tempo. Tal fato pode ser comprovado ao observamos pela primeira vez uma fotografia de nossa infância e, imediatamente, reconstituirmos os fatos associados com certa naturalidade: “puxa, lembro-me agora desta camisa de estampa laranja que ganhei de minha madrinha”; “tirei esta foto no terreno onde é a casa do Seu Juca”; “lembro-me agora que nesta época eu tinha um triciclo vermelho”. O fato é que a fotografia serviu apenas para eliciar o registro a muito esquecido.

É importante que se diga que na regressão induzida hipnoticamente o acesso ao período não acontece pela força da vontade ou curiosidade – e esse processo é uma incógnita, mas sim por relações pertinentes aos aspectos relacionados às experiências e necessidades atuais de um indivíduo. Sob esta perspectiva, muitos teóricos interpretam os sonhos. Mesmo que esses refiram aos arquivos de toda uma existência, emerge apenas aquilo que se relacione ao momento do sonhador, possível razão de conflito, como algo não resolvido, compreendido.

Segundo Pincherle, uma hipnose regressiva pode ser usada para regressão de curto prazo, para melhorar a memória de determinados detalhes parcialmente esquecidos ou para regredir a fases traumáticas da infância, do parto, da gravidez e, em certos casos, para voltar a supostas “vidas anteriores”.

Sem dúvida a regressão de idade é um fenômeno intrigante que desafia a compreensão lógica-racional e nos coloca à margem de nosso núcleo – objeto de estudo de filósofos, antropólogos, psicólogos, enfim, toda ciência que tem o homem como foco central. As perguntas que não calam: “De onde vim? Por que estou? Para onde vou?”.

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
Clínica com atendimento em São Paulo e em São Bernardo do Campo.
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sexta-feira, 4 de março de 2011

O Que Você Quer Ser Quando Crescer?

Você já parou para pensar o que move o homem, qual a sua razão existencial? As pessoas normalmente referem-se à realização pessoal como o motor propulsor de suas vidas. Mas então, qual o combustível que alimenta este motor tornando este homem realizado?

Esta é uma questão bastante ampla que deve levar em conta muitos aspectos e peculiaridades da vida humana e as características relativas a cada pessoa. Inicialmente podemos refletir sobre o homem social, cujos valores lhe são imputados desde cedo. Mesmo antes de nascer, a criança recebe as vestes sociais que se materializa após o seu nascimento com o recebimento do registro civil (que também poderia ser chamado de registro social), as roupas e as boas-vindas (!) dos seus. Logo, sofre a interferência dos que a cercam: pais e familiares, professores, religiosos etc. Acredita, então, que é livre e que pode decidir sempre, a cada momento, sem se dar conta de que as suas decisões são baseadas nos valores incorporados que ela não pôde escolher. Estava tudo pronto!

Mas então, o que torna um homem realizado? Aceitação e prestígio? Obtemos prestígio quando nos tornamos alvo de inspiração positiva para outras pessoas, como uma clara demonstração de reconhecimento capaz de tornar favorável a aceitação. O indivíduo prestigiado é reconhecido pelos seus feitos e realizações: títulos acadêmicos, posição profissional, bens materiais, correspondência afetiva, vigor e saúde. Se tentarmos enumerar pela ordem de importância cada item relacionado ao prestígio, veremos que estão intrinsecamente ligados com sua capacidade de obter e administrar recursos, dentro de um determinado contexto, como o adágio popular que diz: “em terra de cego quem tem um olho é rei – e... prestigiado”.

Portanto, socialmente seremos aquilo que incorporarmos cuja significação esteja pré-estabelecida e reconhecida, como os valores do prestígio, por exemplo. Um automóvel do ano pode ser traduzido como sucesso e mérito individual, um corpo malhado pode significar saúde, os pré-nomes como Dr. (a) ou Prof. (a), estão relacionados aos méritos acadêmicos e de posição social, a grife das roupas e o modo como se veste indica um estilo de vida, e por ai vai...

Quanto a pergunta sobre o combustível que move o homem, suas razões e motivações, você pode responder agora qual é o seu?

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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quarta-feira, 2 de março de 2011

Hipnose: Tudo o Que Você Queria Saber!

O psicólogo e Prof. Ms. em Hipnose, Paulo Madjarof Filho, participou do programa Jovem Pan Online, exibido no dia 10/12/2009.

O tema abordado foi: "Hipnose".

A aplicação da Hipnose nas áreas da saúde sofreu nas últimas décadas um impulso considerável, o que nos leva a considerar que, hoje, esta ciência e arte atingiram sua maturidade. Com efeito, são inúmeras as suas aplicações nas ciências da saúde.

Assista a entrevista e tire todas as suas dúvidas sobre a Hipnose.

Vejam o vídeo abaixo com a entrevista completa.

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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terça-feira, 1 de março de 2011

Pense em Qualquer Coisa, Menos num Gato Roxo com Bolinhas Amarelas...

É óbvio que para saber no que não devo pensar tenho que fazer uma representação mental do significado, ou seja, criar a imagem (pensar). É comum que a criança advertida pela mãe sobre o risco de deixar derramar o leite, o faça. Isto acontece porque o cérebro de um modo instantâneo representa a imagem do comportamento indesejado, que por vezes se concretiza.

Significado é a idéia que se faz de um objeto, sugerido por sua imagem acústica ou significante, ou seja, é a representação mental que fazemos das coisas. É o fruto das experiências em consonância com os nossos valores e crenças.

Como um computador poderoso e eficiente, a mente corresponde imediatamente ao som ou imagem cuja representação foi construída ao longo dos tempos, conforme as experiências vividas por cada pessoa.

Se um grupo de amigos assistirem o mesmo filme contarão diferentes estórias ao sair do cinema. O filme evidentemente é o mesmo, no entanto o significado atribuído muda de pessoa para pessoa.

Agora, pense e ouça qualquer música desde que não seja o Hino Nacional Brasileiro... Será que você consegue?

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os Filmes que Podem Ensinar Muito os seus Filhos

O psicólogo e Prof. Ms. em Hipnose, Paulo Madjarof Filho, participou do programa Mulheres, da TV Gazeta com apresentação de Cátia Fonseca, exibido no dia 17/02/2011.

O tema abordado foi: "Os Filmes que Podem Ensinar Muito os seus Filhos".

Um tema muito importante, que foi abordado de forma simples e objetiva.

Vejam o vídeo abaixo com a entrevista completa.


Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fanatismo por Ídolos

O programa Vida Melhor, da Rede Vida, com apresentação de Cláudia Tenório, exibido no dia 07/02/2011, contou com a participação do Dr. Paulo Madjarof que falou sobre o tema Fanatismo por Ídolos. 
Um tema atual e relevante que foi abordado com muita cautela e coerência.


Vejam o vídeo abaixo com a entrevista completa.


Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sexonautas - Traição e Perversão na Internet

Recente trabalho divulgado por pesquisadores da Universidade de Stanford indica que cerca de um terço dos internautas utilizam a grande rede em busca de conteúdo de caráter erótico, como imagens, filmes e encontros virtuais. Grande número desses internautas confessam-se adeptos do sexo virtual de forma exclusiva, abrindo mão da experiência sexual no plano real. Há ainda os que não chegam propriamente ao abandono total da experiência sexual concreta, porém, admitem que a verdadeira realização acontece na esfera da virtualidade.

Trata-se de dados alarmantes que refere a uma legião de pessoas das mais variadas idades que buscam suprir suas carências através de estímulos frios - com o desejo de sentirem-se quentes. No contexto virtual, o sexo deixa de ser uma opção fantasiosa para se tornar uma questão de saúde pública à medida que se torna condição na expressão sexual de muitos indivíduos – sendo que alguns admitem-se escravos dessa modalidade. Essa situação vem sendo acompanhada com apreensão por profissionais da saúde mental de diferentes partes do mundo, que enxergam e classificam o comportamento como patológico, passível de intervenção.

De fato, quando um indivíduo perde a autonomia sobre os seus pensamentos, passa a agir de modo inusual, causando estranheza a ele próprio, tornando-se refém de seus impulsos. Embora a pessoa não perca a capacidade crítica e é capaz de pensar o próprio ato, vive a cláusura psíquica em torno da ação sexual pervertida. Os praticantes do cybersexo sustentam algumas características parecidas. Não incomum, observa-se um caráter introvertido e uma certa repressão sexual, por vezes com origem nas primeiras experiências. Para essas pessoas a masturbação costuma ter um papel determinante na construção da sua sexualidade e na dinâmica sexual futura.

Muitos são os sites especializados que diversificam por categorias as mais diferentes formas de experiências eróticas. Do sexo romântico ao bizarro – tudo se pode encontrar neste universo virtual populado por avatares que se escondem sob nick names que preservam o cidadão respeitado e socialmente aceito. Neste cyberuniverso tudo é possível; homem vira mulher e mulher vira homem num único clique. A fantasia presumida no compartilhamento de espaços próprios onde a regra única é determinada pelo prazer, não havendo fantasia pensável que não se realize, semente que não floresça!

O prazer solitário e a busca pela autoestimulação tornou-se interessante à medida que pouco exige de quem pratica, especialmente em tempos em que o sexo representa um risco e a competitividade é a tônica de uma sociedade em que a excelência é sinônimo de sucesso. Apenas o prazer pelo prazer, onde não é preciso ser verdadeiro e nem olhar nos olhos, ser performático ou ter atributos físicos ou mesmo intelectuais, onde não importa se você tem alguma limitação de qualquer ordem – você não será mesmo notado! Basta ter desejo e um estímulo suficiente.

A busca cada vez maior a esta prática apoia-se na privacidade, segurança e no anonimato, estimulando a adesão por homens e mulheres de diferentes faixas etárias e nível sócio-econômico, que no recôndito de seus aposentos, extasiam-se, regozijam-se. A traição virtual ameniza a culpa e protege os seus adeptos. Funciona como uma espécie de condom moral que garante o prazer sem os inconvenientes das contaminações comum aos que se arriscam a quebrar as regras da boa conduta.

O sexo virtual tornou-se um grande negócio que movimenta grande monta de recursos, contando com uma clientela cativa. O estranho paradoxo no sexo virtual é a necessidade em vencer a dependência de algo natural que, de tão vinculado e entranhado, está sujeito ao crivo do enquadre normal – ao qual não se pode evitar. Sob certo aspecto, indistingue a naturalidade e a normalidade na expressão do comportamento sexual. Quero dizer que o sexo é uma manifestação natural intrínsica ao homem cuja expressão está sujeita as normas atinentes a cada cultura, de modo que essas normas sobrepujam a expressão natural. 

Ansiedade e tensão costumam acometer a pessoa que tenta controlar os seus impulsos na busca do sexo virtual. O prazer na finalização e o sentimento de culpa após o ato solitário são frequentemente relatados pelos compulsivos sexonautas. O enquadre patológico da compulsão sexual abarca o comportamento dessas pessoas em razão da consciência do comportamento repetitivo. A frequência desse comportamento é determinante para o diagnóstico diferencial de compulsão sexual, a hipersexualidade. 

Pesquisadores discutem as abordagens terapêuticas e as possibilidades de intervenção, que invariavelmente orientam para o acompanhamento terapêutico. O trabalho do psicólogo é indicado sempre que a pessoa não controla a “coisa” – é controlada por ela. O trabalho do profissional de psicologia consiste em dessensibilizar a pessoa compulsiva de modo que possa diferenciar os seus impulsos sexuais naturais do pensamento obsessivo que impele ao comportamento indesejado.

Portanto, meu cyberamigo, se você se identifica com os aspectos abordados neste texto, aceite a minha cybersugestão e busque orientação profissional para fortalecer-se frente aos arroubos e apelos do cyberespaço sexual.

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mentiras Verdadeiras, Verdades Mentirosas

No início dos anos 90, a denúncia incauta e sem critérios contra uma escola de São Paulo comprometeu seriamente a vida de seus diretores, professores e funcionários que padeceram sob a acusação de abuso sexual contra impúberes alunos. Numa grande mobilização, pais, parentes, e grupos sociais instituidos ergueram suas bandeiras clamando justiça e entonando o “côro da indignação”. Os “gritos altos” ecoaram através da imprensa que, ágil, julgou e condenou em tempo recorde. A precipitação induziu ao erro e a interpretação cruel fez lembrar a passagem bíblica que refere a pecados e apedrejamentos. Na história, mais uma vez, um julgamento desmedido que gerou sofrimento e um prejuízo psicoemocional sem precedentes aos “condenados”.

Uma velha fábula diz que Deus fez a verdade na forma de um grande espelho que se partiu em inúmeros pedaços, de modo que cada pessoa possui apenas uma pequena parte desse espelho, refletindo parcialmente essa verdade. Recursos tecnológicos favorecem o tráfego de notícias e as “verdades” tornam-se “evidentes” quando reforçada pelo meio veiculante e pelo emissor crível, uma pessoa, um veículo ou uma instituição. Toma-se por “verdade” o convencimento aceito e inquestionável, de modo que idéias são defendidas por algumas pessoas como se estas fossem originariamente suas. Nesse tráfego, apelidos e jargões “pegam” quando a crítica pessoal é empanada pela emoção e a razão dá lugar às reações impulsivas e sem medida.

A verdade é valorizada e ganha o status de “notável” quando é objeto de pesquisadores e cientistas, especialmente ligados a uma instituição científica reconhecida. Abnegados, esses cientistas debruçam-se sobre a “verdade” e buscam em procedimentos e metodologia pela confirmação de suas hipóteses. Afirmações do tipo: “tomate faz bem para a próstata”, rapidamente é aceita como absoluta e induz a uma mudança de comportamento social sem grandes questionamentos e com adeptos e defensores dedicados, afinal, “os cientistas disseram”, portanto é verdade!

Um fato se caracteriza pela evidência que o determina, como exemplifica a seguinte afirmação: “o cão está morto”. Deixando os aspectos transcendentes de lado, a afirmação de que o cão está morto é passível de verificação e a constatação o torna inquestionável. O homem não sofre pelo fato, mas sim pela presunção do fato. Eu explico. A constatação da morte do cão nos leva a uma inevitável construção em uma cadeia de questionamentos e afirmações, do tipo: “como morreu o cão?”, “será que sofreu antes de morrer?”, “ele era um cão bom e educado”, “gostava do dono”, “era jovem” etc. Quando elocubramos em torno das presunções que circundam um fato, vivemos o sofrimento emocional em razão da idéia relacionada ao fato, e não ao fato em si.

Além da constatação do fato, a credibilidade de uma informação se firma no prestígio do emissor e a fidedignidade de sua fonte. Este, pela força da retórica e pela eficácia do veículo propagador, se valoriza diante de seu grupo à medida que mobiliza emoções e opiniões a cerca do fato, gerando polêmica. Notícias sobre fatos se transformam pela distância ou proximidade emocional do noticiador com os envolvidos, ou mesmo pela familiaridade com o evento em questão. Um repórter que tenha sido vítima de violência na infância de algum modo responderá emocionalmente na cobertura de um acontecimento assemelhado, ainda que sob a égide profissional.

Afirmou Montesquieu: “A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos”. A reflexão favorece a ponderação e o discernimento, que orienta ao caminho da verdade. Tantas serão as descrições quantos forem os observadores, considerando os critérios e recursos pessoais, seus valores, suas crenças. Assim, o julgamento sem escala na base do bom senso e dos princípios da razão está fadado à parcialidade e ao erro. A mentira inúmeras vezes repetida e replicada traveste-se de verdade e ganha adeptos e defensores – no adágio popular denominada apenas fofoca.

Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Erro Justificado

O elevado grau de exigência e a dedicação aos detalhes o diferenciava dos meninos de sua idade. A caixa de ferramentas de seu pai ganhou o status de “brinquedo preferido”, e desde muito cedo, demonstrava habilidade no manuseio de alicates, chaves e parafusos. Não demorou para que lhe atribuíssem a pecha do “faz-tudo”, com o honroso complemento: “faz-bem-feito”. Era admirado por isso – e gostava!

O desempenho em busca da excelência cada vez mais deixou de ser condição natural para se tornar uma obstinação em sua vida – e nem era preciso realizar esforços para isso. Firmava uma personalidade cuja repercussão extrapolava outros campos de sua atuação, desde a forma como conduzia o seu automóvel até a forma como construía suas relações afetivas.

Ainda na adolescência, ingressou numa conceituada escola para formação técnica em mecânica e logo se destacou pelo interesse e dedicação, embora a expectativa pelo melhor desempenho agravava a ansiedade, que em alguns momentos, limitava sua performance. O ápice desse limite aconteceu na prova de conclusão, quando seria avaliado ao montar uma engrenagem num tempo estipulado. Tratava-se de um mecanismo com rolamento e muitas esferas, com certo grau de complexidade. Foi no limite do tempo que a montagem foi concluída, para o seu alivio e o contentamento de seus mestres.

Acontece que, também os perfeccionistas guardam os seus “quase” irreveláveis segredos – e esse, ele me contou! O receio de não conseguir atingir o objetivo, de não concluir a montagem com todas as peças, fez com que tomasse a decisão mais inusitada de sua vida e, até então, por sua auto-exigência, inconcebível. Algumas esferas do rolamento pareciam propositadamente “sobrarem” para lhe roubar a paciência e o discernimento. A ansiedade aumentava a cada volta do ponteiro do relógio, de modo que não lhe sobrou alternativa: guardou no bolso algumas esferas que naquele momento, certamente não faria nenhuma diferença ao mecanismo – e toda diferença para sua formação e o reconhecimento dos seus.

O rapaz sério e focado nos compromissos, ambicionava o reconhecimento pelos “feitos bem feitos” e suas conseqüentes benesses, mesmo por vezes sendo incapaz de reconhecer que o “bem feito” se traveste de “mau acontecido”. Em sua trajetória sempre foi valorizado pela correção, pontualidade e desempenho. Valia-se de seus referenciais como modelo, como uma espécie de certificado de qualidade e de boa performance. A admissão do escorregão nas “excessivas esferas soltas” descortina a necessidade de um rearranjo em sua filosofia pessoal, afinal, hoje ele sabe que erros são fundamentos da verdade.

*Este texto é uma criação do autor com personagens fictícios, inspirado em relato verídico.

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sexo e Hipnotismo

É frequente nas palestras de divulgação que realizamos sermos perguntados sobre o poder da hipnose e a possibilidade de um indivíduo dizer ou fazer algo sem desejar sob transe hipnótico. De fato alguns perguntam porque temem e outros porque fantasiam. Não incomum, estas questões estão ligadas ao medo da inviolabilidade dos domínios pessoais e o desejo natural da autopreservação.

Também não é incomum nos depararmos com anúncios na Internet que fazem publicidade sobre o uso da hipnose como um poder de convencimento e sedução. Falam sobre atrair a atenção de pessoas através de um “poder mágico”, que “abate” os incautos e desavisados, tornando-os presa fácil. Em geral essa publicidade é dirigida a pessoas introvertidas ou com problemas adaptativos que buscam sexo e sociabilidade.

Utilizam freqüentemente nesses anúncios ilustrações de mulheres atraentes e sedutoras absolutamente abandonada e entregue aos caprichos sexuais de um homem – no caso, a figura do “poderoso hipnotizador”, fazendo aflorar fantasias de subjugação de outrem aos próprios caprichos, vaidades e perversões.

O apelo mexe com o imaginário e a fantasia de poder e dominação psíquica, em especial com pessoas desajustadas que alimentam o desejo secreto de controlar a mente de alguém. Tal apelo compromete a credibilidade deste valioso instrumento terapêutico e impede que muitas pessoas se beneficiem pelo medo que sentem. Esta fantasia é muitas vezes instigada pelos artistas hipnotizadores – os hipnotizadores de palco, ou mesmo pelas produções hollyodianas que exploram as emoções através do jogo de poder e controle.

Sobre esses temores, quero ressaltar que todo indivíduo tem autonomia sobre suas ações, sendo os seus desejos soberanos sobre sua vontade, ou seja, àquilo que pode imaginar e realizar. Portanto, se um hipnotizador mal-intencionado sugerir um comportamento amoral para o indivíduo hipnotizado, este sairá automaticamente do transe, o que só não acontecerá, se este for o desejo do indivíduo hipnotizado. Tal situação pode ser comparada com “certos” estados de alcoolismo que são comumente utilizados para justificar atos inaceitáveis: “eu estava bêbado, não sabia o que estava fazendo”. O álcool no exemplo citado é a auto-autorização para transgredir – o que exime o indivíduo de se justificar socialmente.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Hipnose e a Disfunção Erétil

Hipnose e a Disfunção Erétil

Descartado os aspectos de etiologia orgânica, que nos casos das disfunções sexuais representam a menor parcela dos casos, as disfunções sexuais masculinas, em especial a disfunção erétil, é a razão de grande sofrimento para muitos homens, desencadeando baixa auto-estima, depressão, apatia, e outras desordens psicoemocionais. Trata-se de um distúrbio que afeta indiscriminadamente homens de diferentes faixas etárias (cerca de 5% da população mundial até 40 anos).

Antes de mais nada, quero ressaltar que episódios de falha na ereção é tido pelos especialistas como algo natural, não caracterizando necessariamente uma disfunção patológica. O problema é que esses episódios quase sempre geram um desconforto e uma preocupação, que de tão exagerada, pode favorecer novos episódios, ai sim, conduzindo para um problema mais sério.

Pelo fato da sexualidade ainda ser cercada de tantos tabus, a impotência está culturalmente ligada à força do homem, sendo muitas vezes o rebaixamento da potencia representado como enfraquecimento. Ainda sob a influencia cultural e às novas exigências, cresce o apelo ao desempenho como símbolo de masculinidade. Pílulas para aumento da potencia são usadas indiscriminadamente, como recurso reforçador de desempenho para o chamado – e esperado – “bom de cama”. Em grande parte esta exigência é muito mais do homem do que da mulher, que, a despeito da crença masculina, valoriza e considera o carinho como elemento essencial do bom relacionamento.

A tensão excessiva e a preocupação com o desempenho e a avaliação do mesmo pela parceira, são as causas comumente apontadas nos casos de disfunção erétil. Relatos de casos mostram que isso não ocorre na masturbação pela evocação da imagem da pessoa desejada ou mesmo pela estimulação através de imagens eróticas. Também não acontecem nas ereções involuntárias, como a ereção noturna. Invariavelmente essas ocorrências estão associadas a imagens negativas em relação a si próprio e a parceira, por experiências vividas ou imaginadas.

A contribuição da psicoterapia com recursos de hipnose nas disfunções sexuais está justamente na construção de uma representação mais positiva da experiência sexual, reduzindo a expectativa sobre a performance e valorizando o envolvimento como um todo. Utiliza-se recursos para uma nova resposta a partir da leitura adequada e real da experiência que faz gerar tensão. Emprega-se por esse recurso a representação mental positiva como a utilização de todos os sentidos presentes na experiência sexual, reduzindo a insegurança e o medo do fracasso.

De fato sabemos que os problemas de ordem sexual em grande parte originam-se no plano mental e na crença negativa e autolimitante. A mudança desse padrão através da hipnose conduz para resposta adequada/desejável e o equilíbrio sexual, como a auto-aceitação e a adequação da realidade.

Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

O Meu Amigo Secreto é Encantado...



O mundo virtual é mesmo mágico!
Encantos e Príncipes, até existem...
E pode nos encantar,
Ser até... (quem diria) nosso amigo!
Secreto amigo!

Na vida,
Fazemos amigos reais,
Com ou sem poderes.
Às vezes encantam,
Mas não são Príncipes!
Porque Príncipes...
São eternamente virtuais!

Os Encantos do Príncipe Virtual?!
Não, ele não transforma abóbora em carruagem.
Transforma pensamentos em letras,
Letras em emoção,
No coração de quem lê!

Não o conheço... talvez,
Porque Príncipes,
Devem ser sempre Encantados.
Mas conheço sua alma,
Generosa e amiga,
Alma de um Príncipe...
Encantado!

Desejo a você um Feliz Natal, e que seu Ano Novo seja recheado de boas amizades, com muita saúde, muita paz e muita alegria com todos os seus.

São os sinceros votos deste seu novo amigo virtual, que agora não é mais secreto...


Paulo Madjarof Filho

domingo, 22 de novembro de 2009

As Faces da Sugestão

A observação da sugestão indireta como fator de ressonância social se faz especialmente pela repercussão dos produtos subliminarmente apresentados na mídia (TV, rádios, jornais, Internet etc.). Refiro-me à apresentação subliminar justamente por tratar-se do aspecto sugestivo indireto, o que não significa que a sugestão não esteja presente também numa forma direta de exposição – e como está!

No momento da decisão sobre este ou aquele produto, ainda que acredite que a decisão seja exclusivamente sua, o individuo está sob a força de sugestões que sequer se dá conta. Crenças formadas pela influência indireta contaminam-lhe o espírito e o poder de decisão.

A doutrinação publicitária por meio de comunicação de massa pode, e por vezes é, ser utilizada como um meio multiplicador de cultura e conhecimento, entretanto, repercute muito mais no campo do controle intencional sobre os grupos, como sementes lançadas ao sabor do vento que encontram o solo fértil, para germinar e frutificar. Assim, atinge cada um, isoladamente, em sua solidão. Promove o isolamento. Multidão de pessoas solitárias oferecidas ao nivelamento pelos meios de comunicação.

Quando a sugestão incide sobre multidões, palavras de ordem repetidas obsessivamente são instrumentos perfeitos para arrebanhar as pessoas para causas diversas, desde torcidas de um time ou modalidade esportiva até mártires religiosos ou políticos. O homem no meio da multidão assimila seu comportamento ao dos outros, e muitas vezes, abandona todo pensamento e todo querer pessoal, o espírito critico e o sentimento de responsabilidade, reduz a racionalidade e eleva o emocional. Mata e morre!

Um exemplo mundial deste efeito foi a influência da propaganda hitlerista que arrebanhou cidadãos do bem que se tornaram violentos, assassinos, estupradores e saqueadores, em nome de uma causa justa (?). Sabemos dos recursos de encenação visual, sonora e emotiva presente nos congressos de Nuremberg. Símbolos, discursos, saudações, cores e bandeiras e... furor emocional... maior a irracionalidade.

A sugestão sob o ponto de vista da psicologia e da medicina, tornou-se objeto necessário de estudo. O chamado efeito placebo¹ nas investigações de novas químicas exigiu a instituição do duplo cego² nas pesquisas científicas pelos vieses nos resultados. Na medicina, o ritual de prescrição e a magia que impregna o ato médico – que sugere em si a resposta ansiada pelo paciente – favorece o resultado antes mesmo da prescrição. Esta seja talvez a atribuição mais positiva de aplicação deliberada da sugestão, ou seja, os rituais de cura.

O tema sugestão é tão amplo e fascinante que seu estudo exige dedicação exclusiva de uma vida. A sugestão está e sempre esteve presente em nossas vidas determinando valores e crenças. É etérea, está no ar e sequer pode ser detectada. É uma realidade psicológica implícita no simples ato de existir, na mínima comunicação. Instrumento perigoso se ardilosamente utilizado.

¹ Efeito observado por força da sugestão que acompanha uma orientação médica, por exemplo, a administração de uma substância inócua (pílula de açúcar).
² Gerenciamento de pesquisa em que o gerente, o pesquisador e o sujeito da pesquisa não tem conhecimento um do outro, sem saber diferenciar o placebo da droga.

Por Paulo Madjarof Filho

sábado, 21 de novembro de 2009

Você Tem Medo de Baratas?

Antes de qualquer coisa, quero convidá-lo a uma reflexão racional, um apelo a sua inteligência. O que você sabe realmente sobre baratas? Antes de responder, lembre-se de ser racional, portanto evite descrições que pouco dizem respeito à barata – e descrevem muito mais o seu medo. Por exemplo, se você responder que a barata é “horrível” ou é “asquerosa”, você não estará falando da barata, mas de sua impressão sobre este inseto.

Vamos lá. Tente responder sobre o inseto “barata” com isenção emocional – uma pesquisa no Google pode ajudar! Sob a ótica de um biólogo, sucintamente, a barata urbana é um inseto de hábitos noturnos que se alimenta de pequenos animais ou vegetais mortos. Tem hábitos solitários, é ovípara e vive para comer e para acasalar. Certamente esta pesquisa pode ser ampliada para uma exploração ainda maior, no entanto, creio que essas informações bastam para o propósito desta explanação.

O mal conhecido que a barata pode causar ao homem não é muito diferente, e nem mais ameaçador, do que o mal que pode causar outros insetos análogos. A contaminação por bactéria – risco conhecido – certamente não é o fator relatado como o motivo do medo declarado. Ainda que sejamos conscientes dessa possibilidade, com certos cuidados habituais, sabemos quão reduzida ela é.

O que será que fariam as baratas se soubessem do poder que, pelo medo, lhe atribuem alguns homens? Talvez assumiriam esse poder, tornar-se-iam políticos e generais poderosos... Balela! A barata não tem e nunca terá essa força. Trata-se de um inseto solitário e extremamente assustado, medroso, a ponto de, sob ameaça, fingir-se de morto para garantir o direito à vida.

O medo de baratas pode ser analisado sob diferentes perspectivas. Primeiro que esse medo pode ser aprendido. Imagine que quando criança você viveu num ambiente em que tenha observado pessoas referentes, como pai e mãe, sob escândalo, subirem em cadeiras aos gritos de “mata, mata”. Como então você, ao observar este comportamento, irá internalizar essa experiência? Se as pessoas que você admira e que cuidam de você, gritam e temem este inseto, por que você fará diferente?

Uma segunda perspectiva de analise, diz respeito a um valor intrínseco favorecedor para a construção do medo. Numa experiência realizada por um pesquisador chamado Seligman, alguns cartões com figuras eram apresentados ao mesmo tempo em que um leve choque era percebido para algumas imagens. O choque apresentado, por exemplo, com a apresentação da imagem de uma flor (que pode até ser mais nociva que uma barata!), gerava menor aversão quando apresentada a figura de uma barata. Isso nos permite especular que existem condições que favorece a identificação negativa a certos elementos naturais, predispondo ao medo.

Outra possibilidade diz respeito ao trauma, que significa uma ruptura emocional. Do ponto de vista psicológico, a “quebra” se dá quando o quantum emocional é incompatível com o evento desencadeador, referindo menos ao evento e muito mais a emoção associada. Por exemplo, uma criança que tenha tido uma forte impressão ao observar uma barata sobre o seu brinquedo favorito e sente-se naquele momento, incapaz emocionalmente de lidar com a situação, podendo apresentar respostas inesperadas com repercussão futura. Passa então a evitar o ambiente, o brinquedo e situações associadas. “Barata”, por mecanismos psicológicos de distorção e generalização, passa a ser o “interruptor” que liga respostas futuras altamente indesejadas.

Então, como superar o medo de baratas? Não quero aqui ignorar a emoção humana e nem dar uma conotação banal às experiências relatadas por quem sofre desse medo. O fato é que o medo reside no significado atribuído e nunca – jamais – na própria barata. Fisiologicamente falando, se um indivíduo que tem medo de barata morrer, o medo morre com ele. Não ficará na barata e nem impregnado nas coisas do falecido.

A atribuição de um novo significado começa por um processo de racionalização do medo, ou seja, um novo entendimento para a apresentação de uma nova resposta. Se você quando criança teve medo de bicho-papão, deve ter sofrido um bocado com esse medo. Certamente pelos pacos recursos e a incapacidade indutiva lógica inerente à idade infantil, não conseguiu discernir entre o real e o imaginado, reforçando o medo. Pensava por exemplo, que o dito cujo do bicho-papão podia estar debaixo de tua cama ou subindo a escada de tua casa ou, certamente, abrindo a maçaneta da porta – que você jura de pés-juntos que ouviu. Decorrido os anos, na idade adulta, com muitos mais recursos de compreensão, você racionaliza a experiência vivida e pensa o quanto foi tolo e sofreu à toa.

Uma ajuda profissional para a superação do medo é sempre indicada. Recomendo que você busque orientação psicológica dentro de um referencial que trabalhe com mudança de significado, como por exemplo, a terapia cognitiva comportamental. Alguns recursos utilizados no processo terapêutico mostram-se altamente eficazes, como o recurso de hipnose. A psicoterapia com recursos de hipnose, permite a atuação no nível da impressão indesejada, modificando ou enfraquecendo o significado.

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
Clínica com atendimento em São Paulo e em São Bernardo do Campo.
Clique aqui e envie um e-mail para maiores informações, ou ligue para (11) 3423.1340 para agendar uma entrevista.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Vôo Inaugural

O condor é o maior pássaro do mundo e é conhecido por sua envergadura e por construir seu ninho em penhascos escarpados com altitude próxima a 2000 metros. A mamãe condor cuida de um único filhote que é totalmente dependente até completar um ano, quando então, o "encoraja" ao seu primeiro vôo. O filhote, sem compreender, é atacado por sua mãe recebendo inúmeras bicadas na cabeça até que, atônito, na tentativa de esquivar-se, salvar-se, se lança ao precipício. Sem alternativas – e instintivamente, abre suas asas e é acompanhado por sua mãe em seu vôo inaugural. É quando o filhote condor descobre sua autonomia, sua independência. Compreende o mundo sob uma nova perspectiva tornando-se atuante. Desenvolve sua nova competência intrínseca – recém descoberta – de um pássaro extremamente hábil.

Assim como os filhotes de condores, muitas vezes nos prendemos a segurança de nosso “ninho” nos impedindo – ou retardando – a experiência de nosso primeiro vôo. É importante ressaltar que neste caso, o “ninho” tem uma conotação muito mais ampla por referir as situações de acomodação de nosso cotidiano, seja pelo trabalho que não mais gratifica – mas que insistimos em manter, o relacionamento que se faz por conveniência – que fingimos não incomodar, a obrigação determinada por aspectos subjetivos – pelo que é esperado que façamos – e fazemos!

O vôo inaugural nos assusta porque duvidamos de nossa capacidade de sustentação, de nos mantermos por nossas asas, de voar mais – e mais alto, com autonomia. Nos colocamos – e assim permanecemos, numa condição de absoluta dependência, autômatos, admirando os que já se lançaram ao vôo da auto-descoberta.

Portanto meu amigo, convido-o neste instante a uma reflexão; a observar com acuidade a extensão de suas próprias asas. Veja! Elas cresceram! Que tal experimentá-las? Que tal, a exemplo do condor, se lançar ao seu vôo inaugural?

Não entenda o meu convite à reflexão como uma apologia à inconseqüência, ao descaso, ao levianismo. Pense apenas sobre aquilo que ainda não sabe por não se permitir. Exerça a sua crítica pela vivência pessoal e não por impressões falaciosas e pelos modelos que sequer você optou – lhe foram impostos!

Acredite em sua capacidade condor. Liberte-se do medo, voe!

Por Paulo Madjarof Filho

Capacidade e Competência

Imagine-se conversando com uma lagarta que empreende esforços na ânsia de alcançar o topo de uma árvore pelo cumprimento de “sua missão existencial”. Se perguntada sobre a razão de sua obstinação em alcançar um determinado galho da árvore, o que será que responderia a lagarta?

Será que se lhe disséssemos que todo o seu empreendimento valerá a pena porque deixará de ser um ser rastejante para se tornar uma borboleta e que fará esse mesmo percurso ao topo da árvore num tempo menor, ela acreditaria? Será que acreditaria que o seu corpo pesado e lento será substituído por um corpo esguio de roupagem leve e colorida? Será a lagarta consciente de sua missão e de seu futuro?

Utilizo a história de vida de uma lagarta para propor uma reflexão sobre àquilo que ainda não sabemos em relação as nossas competências. Penso que a competência se diferencia da capacidade por entender que a capacidade é a semente – inerente a todos os seres humanos, e a competência é a germinação da semente, o desvelamento da capacidade – alcançada apenas por alguns indivíduos.

Assim, podemos buscar em nossa história de vida exemplos e situações em que as coisas não faziam muito sentido, não pareciam se encaixar e davam a idéia de um momento “sem saída”. Comumente nos damos conta, depois de certo tempo, que como uma peça avulsa de um quebra-cabeça que aparentemente não se encaixa, tem de fato o seu espaço e compõe um conjunto, dando sentido ao todo.

Portanto, converse com suas partes lagarta – que ainda não descobriram sua porção borboleta, e diga que o empreendimento de agora, por vezes angustiante e sem sentido, faz parte de sua auto-descoberta e conseqüente auto-conhecimento, de uma missão maior que ainda se mostra na forma rastejante e penosa. Ainda é necessário vivenciá-la para que em breve se transforme, para que veja o mundo sob uma perspectiva absolutamente diferente, para que sobrevoe a copa da árvore que hoje escala, visitando suas flores, replicando a vida.

Por Paulo Madjarof Filho

Chupa Essa Manga!

O bordão “chupa essa manga” repetido pela personagem Márcia do quadro de humor do programa de TV Zorra Total da Rede Globo, caiu na graça do povo e tornou-se motivo de brincadeiras, especialmente quando o assunto é traição. As explicações da personagem adúltera são tão absurdas e improváveis que reside justamente ai o ponto alto do quadro de humor. Chupa essa manga!

Como tantas outras situações de nosso cotidiano, a infidelidade tem sido razão de exploração de humoristas e vem sendo debatida por comportamentalistas e cientistas sociais, não por se caracterizar como um fato novo mas pela proporção assumida nas últimas décadas, especialmente pelo advento tecnológico e as relações on-line, colocando as pessoas sempre conectadas.

Constante nas leis dos homens e de Deus, o adultério ganha status de “caso” para atenuar a culpa outrora martirizante. A fragilidade da instituição família transformou as prioridades dos relacionamentos e supervalorizou os prazeres instantâneos em detrimento da cumplicidade e do companheirismo.

Uma pesquisa realizada pela Revista Veja apurou que 60% dos homens e 47% das mulheres já foram infiéis. A mesma pesquisa afirma que 60% dos homens e 55% das mulheres que não fazem parte dos números anterior, admitem que acalentam o desejo de viver uma relação extraconjugal. Chupa essa manga!

Iguais no que refere ao ato e diferentes nas justificativas e na intensidade de suas experiência, homens e mulheres, do ponto de vista social, encaram o ato da traição de maneira bastante particular. Por necessidades insatisfeitas, por pura fantasia ou mesmo perversões e descontrole de seus impulsos, a justificativa para a traição expõe o conflito entre desejo e a necessidade, o egoísmo e a dedicação, o fisiológico e o racional.

Quando me refiro à questão fisiológica penso no homem instintivo, ou seja, a ação deste pelos impulsos básicos, onde o macho da espécie Homem busca disseminar o seu sêmen para garantir a continuidade de sua linhagem. Investirá em quantas fêmeas puder para atingir este objetivo, já que é fértil todo tempo, independente de um período especifico. A fêmea por sua vez, escolhe o macho pela garantia da boa linhagem, do bom produto. Ao contrário do macho, a fertilidade da fêmea tem um período estrito que a predispõe ao acasalamento.

Só que esse Homem é racional e socializado (ou seria domesticado? – chupa essa manga!), criou leis e determinou padrões para comportamentos aceitáveis. Inventou a relação estável e modelos de conduta – que ele próprio não consegue cumprir. Os eunucos ou mesmo os celibatos de outrora nos dão a dimensão da dificuldade e do sacrifício de confiar ou manter-se fiel. Os homens incumbidos de cuidar das esposas dos sultões eram antes castrados de modo que não pudessem tentar o pecado. O termo pecado que está muito mais associado ao voto de castidade pela profissão de fé, representa a renúncia ao instinto e a tentação, como a representação viva da provocação do mal.

Mas no que refere propriamente ao relacionamento, a razão que leva duas pessoas ao desejo de compartilhar uma vida comum é sempre o oposto da razão que leva ao rompimento, a separação. Sabe-se que a infidelidade é um dos motivos mais fortes que conduzem os casais à separação judicial. A atenção, aceitação, afetividade, admiração, tolerância e o compartilhamento de experiências, são ingredientes essenciais para a manutenção, interesse e a longevidade de um casamento. Como diz uma famosa canção da MPB: “sim, é como a flor; de água e ar, luz e calor; o amor precisa para viver; de emoção, de alegria; e tem que regar todo dia”.

Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pessoas de Bom Coração

Gentis e amáveis, as pessoas de bom coração trazem estampado a sua bondade como uma espécie de marca própria, facilmente identificável por quem se permite observar. Se doam de maneira incondicional e são, por excelência, altamente altruístas.

Uma pessoa boa, simplesmente é. Dá-se por completo e interpreta o mundo de forma simples. É essencialmente otimista e acredita que as coisas sempre podem dar certo. Utiliza as palavras corretas com docilidade e permite que, a simples evocação de seu nome ou imagem, acalente e tranqüilize os que o fazem.

Há pessoas boas que são como diamantes: preciosas, de grande valor que revelam a sua bondade a cada entalhe da lapidação da vida. Comumente relacionam o sofrimento vivido com aprendizagem, paciência e tolerância. Consolam pelo entendimento de que a dor eleva e que, por pior que seja, pode ser percebida como privilegio.

As pessoas de bom coração seguem a máxima cristã – mesmo que dela não tenham conhecimento: “não permita que saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”.

Movimenta-se no mundo com leveza como se o seu mundo obedecesse outra regra. São leves como se a lei da gravidade não se aplicasse a elas. Conhecem o significado do perdão – e talvez esse seja o segredo da leveza!

Eu conheço pessoas de bom coração! São abnegadas e usam sua própria escala de valor, baseada no bem – e nem por isso são tolas! Não temem a doença; zombam dela. Não sofrem; aprendem. Não lamentam; trabalham. Não duvidam; oram. Não se doutrinam; conversam com Deus.

Por Paulo Madjarof Filho
Psicólogo Clínico e Mestre em Psicologia da Saúde com Dissertação sobre Hipnose.
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